Outra forma de militar, mas na internet.
Setembro de 2008, por Leila Mucarsel
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Eu planejava começar este artigo explicando de que se trata o “ciberativismo”. Mas não é necessário, você já o conhece. Talvez conheça pelo seu nome, mas acho que você já foi testemunha, ou talvez tenha participado ativamente deste fenômeno.
Vamos a conferir a minha hipótese. Alguma vez você reenviou uma cadeia de mails sobre temas políticos ou sociais? Colocou uma pequena vaca no seu apelido de MSN ou uma frase em apoio ao governo? Você esta no Facebook? Deixou um comentário num artigo da edição virtual de um jornal? Tem um blogue onde coloca a sua opinião? Apóia campanhas virtuais da Greenpeace? Embora não faça nada disso, igual continua no meu “universo de interesse” de hoje, porque para muitos, já é ciberativismo o simples fato de estar lendo esta revista virtual. Ficar informado é o primeiro passo para participar.
Há uns anos atrás falar de um assunto como este tivesse sido de vanguarda. Imagino que este artigo na ultima seção do jornal, na seção que lêem os “computer geeks” e as poucas garotas que querem paquerar “computer geeks”. Mas Internet não deixa de surpreender com a sua enorme capacidade de revolucionar nossa vida no dia a dia.
“A rede faz parte da nossa vida. Faz com que possamos estar comunicados, divertirmos, fazer negócios, estar informado e informar. Por que a gente não pode também fazer política ?”. Esse é o começo da carta de apresentação da Rede Red de Voluntarios Ciberprogresistas del PSOE. É lógico, né?
“O ciberativismo não é uma técnica, senão uma estratégia. Fazemos ciberativismo quando publicamos na rede –num blogue ou num site- procurando que as pessoas que leiam avisem aos outros- ligando os seus próprios blogues ou recomendando a leitura – ou quando a gente manda um e-mail ou um torpedo a outras pessoas desejando que elas reenviem aos seus contatos. Por causa disso todos estamos fazendo parte do ciberativismo”, explicou David De Ugarte, um dos maiores referentes do ciberativismo no nível mundial , quando perguntaram sobre a definição deste fenômeno.
Hoje falamos em “ciberpolítica” ou “política 2.0”, de “cibermilitancia”, de “ciberparticipacao” e de “ciberativismo”… o fator comum em todas elas é o uso das novas tecnologias da informação e a comunicação, especialmente a Internet e a telefonia móvel, como uma forma de expressão e participação social . Como explicava David De Ugarte, todos estamos envolvidos no ciberativismo. Somente trata-se de conhecer melhor as suas ferramentas e se animar a usá-las. “Não é um assunto tecnológico, de idade ou cultural. Trata-se principalmente de um tema de vontade ”, explica María Sol Tischik, 22 anos, militante de Generación K, ciberativista e blogueira. Ela, que alias foi uma das impulsoras do site informativo Grito Argentino conta: “Há pouco tempo era muito ineficaz com o computador, somente o usava para o MSN”. A María Sol estava estudando ciências políticas na Universidade de Buenos Aires, quando conheceu o curso “Blogs e Política”, organizado por Generación K . “Era um curso que se ministrava através de uma plataforma virtual, com uma duração de três meses, nesses meses você aprendia a utilizar as ferramentas da Web 2.0, não somente como algo tecnológico, senão aplicado a todo o que tem a ver com o social, com a comunicação política e com a liderança política e digitais ”.
“Cada vez mais se fala dos usos que adolescentes e jovens oferecem as novas tecnologia da informação e a comunicação, especialmente a Internet. Essas análise e opiniões têm a ver principalmente a assuntos de ócio, consumo e comportamento pouco éticos, mas rara vez se fala que cada dia mais quantidade de jovens participam socialmente, melhorando sua comunidade e o mundo por meio da rede de redes ”. O comentário foi escrito por Damián Profeta, representante para América Latina de Takingit Global, como parte um artigo trabalho sobre novas tecnologias. [1]. Apresentado originariamente como parte integrante do trabalho Juventud y TICs: una relación con mucho futuro, realizado e publicado pelo site Portal de Juventud para América Latina y el Caribe em abril de 2007.
Em resumo, se a sua mãe fala pra você que deixe de perder o tempo diante do computador, tem aqui uma resposta. Não somente serve para jogar, mas também para melhorar a sua comunidade. Ainda não acredita? Temos exemplos certos disso, vamos lá.
Ajuda para crianças é um site criado por um grupo de jovens que permite fazer doações de alimentos para refeitórios infantis da Argentina com só fazer um clique Ecopibes é um site educativo sobre meio ambiente que liga milhares de crianças, adolescentes e docentes da Ibero América. Você pode contar a sua mãe que em www.TakingITGlobal.org interagem mais de 8000 jovens da América Latina e o Caribe, -e 203.870 do mundo!-, dando a conhecer suas iniciativas sociais e criando projetos e redes colaborativas virtuais.
O Campo Virtual
Neste link se fala sobre como influiu a Internet no conflito sobre o governo argentino e o campo
María Sol Tischik fez uma comparação: “As coisas mudaram, as reuniões para falar de política não tem a mesma quantidade de pessoal interessado. É muito mais difícil pedir a um garoto de 17 anos que se reúna as três da tarde para debater política, do que pedir para ele que fique diante do computador e escreva o que pensa e sente; que construa, que faça a sua contribuição, que ofereça idéias, que milite do seu computador idéias”.
Se a sua mãe continuar perguntando o que você acha da política isso quer dizer que ainda temos muito a fazer. É que a política, nos suas origens e até faz pouco tempo, foi uma ferramenta para melhorar as coisas. Mas agora está desprestigiada. Internet estaria substituindo a política internacional? Segundo Maria Sol não. “O contato cara a cara é insubstituível. Mas pode ajudar a mudar, a melhorar as coisas que estão erradas e a reforçar o trabalho que se faz no território ”.
A cibermilitancia não substitui as formas de participação presenciais, mas pode contribuir a gerar mudanças e que mais pessoas se envolvam na política. “As pessoas pedem poder opinar, esta cansada de que manipule a informação, cansada de ver como a realidade aparece tergiversada conforme os interesses de grandes grupos econômicos. Os sites, os blogues e sites pessoais agem como canalizador dessas vontades, dessa necessidade ”, opina María Sol.
Na política atual regem algumas lideranças centralizadas, Internet propõe redes espalhadas. “Ninguém depende de ninguém em exclusiva para poder chegar ao outro com a sua mensagem. Não existem filtros únicos”, explica Ugarte. Isso significa que hoje não somente somos consumidores de informação, também podemos ser produtores de mensagens e de conteúdos.
A Internet tem muitas vantagens praticas. Segundo Sebastián Lorenzo, 33 anos, co-fundador da agrupação Geração K, atual Diretor Executivo da Fundação Geração Livre e reconhecido ciberativista argentino, as principais são: “O baixo custo para ligar aos militantes sem importar as distancias que os separem fisicamente e a velocidade no momento de transmitir mensagens em forma horizontal com ferramentas da web 2.0 como os blogues ou wikies, ou empresas como Youtube.com ou Facebook.com. Outra vantagem importante acontece no marco da formação dos quadros políticos a distancia, com plataformas para o estúdio on-line muito econômicas ou de graça”.
María Sol adiciona: “Internet permite que o que você fizer possa chegar a qualquer província, em qualquer lugar. Você quebra as barreiras geográficas, de idade, culturais… Permite que você chegue a um monte de lugares, que por um tema de custos e tempos não poderia chegar”.
“Nosso país esta a poucos anos da conectividade plena, isso significa que uma PC será tão comum quanto um telefone celular. Hoje o telefone celular é uma ferramenta tecnológica de uso quotidiano para a política, já que não se percebe como se fosse algo externo a militância territorial (…) isso vai acontecer finalmente com a internet, será mais uma ferramenta, com certeza a mais importante, para ficar ligado com outros militantes e levar adiante trabalhos digitais ou territoriais”, explica Lorenzo. Os números o demonstram: a incidência da Internet na sociedade está evoluindo: no ano 2006 foi 25%, 2007 mais de 30%, e se calcula que para final de 2008 aproximadamente 50% da população estará influenciada pelo acesso a internet.
Mas embora o nível de conectividade da região esteja aumentando, continua sendo baixo, continua existindo um grande desconhecimento sobre as ferramentas digitais e o seu uso, e continua gerando resistência e medo. “Infelizmente, ainda muitos rejeitam o Google. Há intelectuais de sucesso que zombam o MSN, docentes que proíbem os SMS,.... existe muito medo ”, fala Mario Lucas Kiektik, docente universitário especialista em redes sociais e os modos de virtualizacao. E adiciona: “Vejo uma forte resistência, inútil de certo, da velha imprensa ou políticos a ficar fora da era digital. De regulamentos bobos sobre os direitos de autor até uma forma de privilegiar a escrita e a fala sobre as redes sociais emergentes ”.
Ciber-Dicas
Outro problema: a cibermilitancia é participação, mas de baixa intensidade. Fazer um clique para opinar ou para apoiar uma campanha determinada ajuda, mas não é suficiente. Você não vai mudar o mundo com um clique. Participar na rede e no território é muito mais do que isso. Aproveitemos o potencial que oferecem as novas tecnologias ao máximo.
Você pode aumentar a sua participação política e social enormemente. Mas para isso é necessário se envolver, participar e compartilhar, distribuir entre as suas redes, essas que começam com seus irmãos e sua mãe, e terminam.......... sei lá..... essa é a magia da internet. ¡!
[1] Damián Profeta
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