Opinion Sur Joven

Nº46

Uma alma para o Mercosul

Outubro de 2008, por Verónica Beatriz Arias

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Os argentinos pensam que Uruguai é uma província de seu país; os uruguaios acham que os argentinos são soberbos. O Brasil e o Paraguai ainda brigam pelo futebol. O Brasil ainda está com raiva por assuntos bélicos. Parece muito mais fácil ver as diferenças do que as semelhanças. Como se constrói uma cidadania em comum? soberbos insuportavel. Que coisas em comum têm nossas culturas? Que diferenças poderiam enriquecer?

Muitas vezes se olha o MERCOSUR, como algo distante, fora da órbita da vida cotidiana, assume-se que é um assunto exclusivo de nossos representantes. E talvez seja porque se pensa ao Mercosul desde o ponto de vista abstrato sem ter em consideração que todos somos parte desta integração e que somos o primeiro eixo para uma plena integração regional. Desde este pondo os cidadãos da Argentina, o Brasil,o Paraguai, o Uruguai e a Venezuela são uma peca fundamental na hora de fortalecer a integração regional. Para consegui-la é imprescindivel pôr ênfase nas semelhanças entre os paises e fazer das diferenças uma virtude. Necessita-se construir uma identidade e uma cultura comum para sentirmos ao fim parte de um mesmo destino.

Além dos limites

Os países da América Latina e particularmente os do Mercosul compartilham a vivencia de processos históricos semelhantes. Mas por muito tempo as elites econômicas e políticas tentaram separar os povos e num ponto o conseguiram. Por décadas se alimentaram rivalidades ou brigas, cultivou-se o desconhecimento e incompreensão entre os paises da região. Na maioria deles o ensino da historia, a geografia e a formação cidadã é um exemplo certo de sectarismo e até de discriminação. A educação, muitas vezes, levantou paredes inter fronteira em troca de construir pontes.

Apesar dos muros que se levantaram, é evidente a base comum afim. “Em termos sociais e culturais as fronteiras entre os paises sempre foram muito porosas, transpassadas permanentemente por correntes migratórias, por trocas culturais de diverso tipo e pelo turismo”, explica a socióloga e pesquisadora do CONICET, Elizabeth Jelin, num texto sobre cidadania e Mercosul. A porosidade das fronteiras fomentou trocas que geraram por décadas redes de parentescos e de amizade. “Na atualidade a situação mudou muito e correm ventos integradores”, explica o advogado , sociólogo e diplomático Gregorio Recondo no seu livro El sueño de la Patria Grande. [1]

Diferentes, mas parecidos

A Argentina, o Paraguai, a Venezuela e o Uruguai apresentam, em alguns aspectos, uma maior semelhança por causa de que formaram parte do Império Espanhol e teme m comum costumes e o idioma, contrariamente, os portugueses transladaram ao Brasil suas organizações administrativas, políticas e jurídicas, que outorgaram-lhe uma cor particular, além das diferenças idiomáticas e costumes . [2]. Mas é importante salientar nas semelhanças que podem aproximar. Por exemplo, uma historia semelhante com golpes institucionais, persecuções políticas, corrupção generalizada no governo, a divida externa.... E se procuramos na vida cotidiana percebemos que sentimos paixão pelo futebol, as reuniões entre amigos e o chimarrão.

Se realmente o objetivo for integrar aos paises do Mercosul, a chave estaria nos cidadãos, nas forças livremente organizadas da cidadania (as organizações não governamental), numa imprensa independente que informe do Mercado Comum do Sul. É necessário gerar –através da utilização de símbolos- o sentimento de pertencia comum dos povos, diminuírem as rivalidades, impulsionar o desenvolvimento da ciência através da cooperação dos pesquisadores. È importante promover o intercâmbio de estudantes e professores das universidades, fomentarem o turismo entre os paises.

“A integração deve ser formulada de dentro, concordada do inicio com a participação de todos”, sustenta Recondo. É necessário procurar a integração da sociedade civil, porque sem a participação ativa da cidadania não terá integração possível, porque ficará sujeita aos mudantes interesses dos mercados ou aos surpreendentes idéias dos governos do momento.

O que é necessário?

A alma do MERCOSUR são os seus cidadãos. Os cinco paises se caracterizam pela diversidade dos povos, justamente isso é a sua grande riqueza. “É muito importante colocar toda a energia para uma integração pela cultura ”, recomenda o diplomático Argentino Recondo. Segundo a sua visão, o ideal seria respeitar a diversidade cultural dos povos, mas gerar uma “congruência significativa de pautas, valores e instituições”.

A identidade coletiva comum significará o reconhecimento dos direitos políticos e sociais. “A construção de uma identidade de bloco não consiste somente em produzir bens de marca regional MERCOSUR. É muito mais do que isso. Também não é uma simples resolução política do governo. É um processo educativo onde a historia e recíprocos conhecimentos de nós mesmos e dos outros membros, seus povos e suas costumes possam colocar estes tijolos no prédio integrado pelo Mercosul ”, explica Julio Bardi, diretor do Instituto de Pesquisas em Gestão de Risco, Desastres e Emergências Complexas, em “O Mercosul e o desafio da globalização”.

È necessário um Mercosul multicultural, que fomente a cooperação recíproca entre as culturas diferentes e a fraternidade entre todas as comunidades. A importância de uma cultura definida radica em que a mesma é fundamental para criar cidadãos ativos e com plena consciência de um fim comum.

Todas as vozes, todas

Os cidadãos são a alma do Mercosul, e somente com a compreensão e o conhecimento mutuo dos diferentes povos seria possível atingir uma plena integração. Esta cidadania está num estado mais do que embrionário, mas temos todos os recursos necessários para consegui-lo. É um bloco heterogêneo e multicultural, mas com uma historia comum que nos identifica. Temos que deixar de ter medo ao mito de que a identidade nacional é incompatível com a identidade regional, e deixar de olhar ao vizinho como inimigo para começar a percebê-lo como um irmão. È necessário construir uma identidade cultural para sentirmos parte deste processo tão importante para nossos países. Isso vai ser conseguido com a ajuda de todos, com a profunda vontade e convicto de consolidar ao bloco, que com certeza será uma ferramenta muito útil para gerar mudanças positivas em nossa comunidade.

Portanto se encontrar um paraguaio, um brasileiro, um venezuelano ou um uruguaio tente de apreender o seu costume, os seus problemas, porque também são os nossos e você vai perceber que não tem tantas diferenças. Seja mais participativo: hoje contamos com o Parlamento do Mercosul, onde poderemos exprimir a nossa opinião sobre uma infinidade de assuntos que vão repercutir na nossa vida cotidiana.

+Info

Alguns dados para que você conheça mais um pouco do Mercosul:

MERCOSUR

Ciudadanía e Mercosul, da socióloga e pesquisadora do CONICET, Elizabeth Jelin

El sueño de la Patria Grande, um livro de Gregorio Recondo, advogado, sociólogo e diplomático.

Elizabeht Moscoso Klappstein, a discriminação, a xenofobia, o racismo e outras formas de intolerância e sua inclusão na agenda social do MERCOSUL

Ilustración. Lorena Saúl.

[1] Gregorio Recondo, El sueño de la Patria Grande, (Buenos Aires: Editorial Ciccus, 2003

[2] Elizabeht Moscoso Klappstein, a discriminação, a xenofobia, o racismo e outras formas de intolerância e sua inclusão na agenda social do MERCOSUL

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