Março de 2009, por Pablo Winokur
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A Argentina sofreu uma tragédia o mês passado. Chuvas intensas e a cheia do Rio provocaram um alude de terra e alagamentos que arrasaram a cidade de Tartagal, na província de Salta, no norte do país, perto da fronteira com a Bolívia. Varias mortes, feridos e perdas materiais milionárias. Numa região estruturalmente pobre, o alude levou o pouco que os moradores tinham. E eles ficaram na nada. Com nada.
Tragédias naturais acontecem com freqüência. Mas nestes tempos violentos de mudanças no meio ambiente, o clima endurecido teima em lembrar que quem manda é a natureza e não o homem. Mas quando se descobrem que essas tragédias podem ter sido causadas, pelo menos em parte, por negligência humana, o matiz muda. A Greenpeace e outras organizações não governamentais, junto com moradores de Tartagal e alguns especialistas que falaram na mídia, garantiram que o desmatamento indiscriminado nessa região de floresta subtropical foi parte essencial da gênese desta catástrofe natural e humanitária. Embora o governo argentino tenha negado esta vinculação de fatos, a presidenta Cristina Kirchner promulgou, sugestivamente, a Lei de Bosques [ Lei de Bosques- > http://www.ecoagencia.com.br/?open=assiste_video&id===AUVZ0VWxGZXJFbaNVTWJVU ] , demorada faz mais de um ano, através da qual se modera e regulamenta o desmatamento para adequá-lo à situação ambiental de cada região.
Faz pouco tempo começaram as obras de reconstrução da cidade e é cedo demais para julgar construtivamente o que aconteceu. Neste ano eleitoral é fácil que todo tema seja politizado. Ainda não existem relatórios técnicos importantes que possam garantir que o desmatamento foi cúmplice. Mas a política meio ambiental errática da Argentina e as testemunhas dos moradores da região obrigam a perguntar se há relação entre ambos os fatos. Isso faz com que mais uma vez a não permitir que a necessidade da atividade econômica se interponha no desenvolvimento sustentável. Se comprovarmos isso, Tartagal será um bom exemplo de que não existe um futuro sustentável para as sociedades sem pensar em respeitar o ecossistema do nosso redor.
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