Junho de 2008, por Cristian Bergmann
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È uma palavra que soa estranho. Parceria. O que é isso? Basicamente quer dizer que nós não temos porque sabê-lo tudo, que existem outras pessoas que nos podem ajudar a empreender um negocio, projeto ou idéia. Este artigo, está destinado a empreendedores, qualquer pessoa que tenha vontade de fazer algo. Começar uma atividade em solidão requer muito mais esforço que fazê-la junto com outras pessoas. “ A inteligência de uma colméia é muito maior do que uma abelha”, diz o provérbio. Portanto, criar parceiros, tem muitas vantagens, porem você tem que levar em conta alguns assuntos para que seja proveitoso para todas as partes intervindes. Vamos analisar algumas delas.
Existem consultoras interdisciplinares que manejam uma grande quantidade de ramos. Mas quando um Professional trabalha e forma liberal, nem sempre é capaz de satisfazer todos os pedidos dos clientes; seja por incapacidade operativa ou por desconhecimento sobre o assunto requerido.
Nem tudo tem que ser feito dentro das quatro paredes de um escritório ou empresa, também não podemos ser especialistas em todos os ramos de nossa atividade. Estabelecer relacionamentos comerciais é uma das formas que pode desenvolver a parceira.
A forma em que pode ser concretizada essa modalidade de trabalho na pratica é através de um acordo com profissionais de outros ramos: um contabilista derivará a um administrador de empresas clientes que requerem consultoria organizacional ou seleção de pessoal, ou um advogado especialista em direito civil deriva clientes a um profissional dedicado a marcas e patentes. Por ter conseguido o cliente, ele vai ficar com 20% da operação, mais 10% para o profissional que o recomendou.
Todos estes relacionamentos devem se desenvolver dentro de um marco de confiança, estipulando de antemão as porcentagens a ser recebidas pelos trabalhos derivados. É importante a retro alimentação, para não entrar em desequilíbrios e desfavorecer o relacionamento. Isto é, que ambos ofereçam clientes mutuamente.
Outra modalidade interessante acontece quando alguma das partes possui contatos e a outra, a capacidade técnica. Sem entrar em tramites legais, nem assinar nenhum documento- porém com um alto grau de confiança- , podem-se parceirar sem ser parceiros exatamente, definindo porcentagens de antemão e realizando negócios conjuntos.
Edgar Ruffinengo, professor titular da cátedra comercialização da Universidade UCES da cidade de Rosario na Argentina, opina: “Num contexto cada vez de mais concorrência e um âmbito hostil, a chave do desenvolvimento profissional está em poder se associar com pessoas ou profissões inesperadas, com as que em primeiro momento não tivéssemos nem imaginado que poderíamos trabalhar em conjunto. Portanto a chave é ficar atento sempre".
A parceria, no caso das empresas relaciona-se com o conceito de cooperativismo: se cooperarmos, em lugar de só concorrer, podemos obter algumas vantagens como maior capacidade de negociação com fornecedores, melhores preços dos materiais, estratégias conjuntas de comercialização entre um grupo de pequenos produtores, dividir equipamentos, tecnologia e know-how, ou desenvolver em forma conjunta estratégias de comercio exterior. Deve-se tentar sustentar um relacionamento de equilíbrio entre as partes, porque se a balança se equilibra para um dos lados, a parceria não é sustentável. Neste caso é conveniente aplicar o paradigma ganhar/ganhar, isso significa que os acordos beneficiem sempre a ambas partes, isso gera um aumento do compromisso e confiança entre os participantes. Os jovens empreendedores têm a vantagem de possuir uma mentalidade mais aberta e maior flexibilidade para internalizar este esquema.
Nesse sentido, Mónica Liendo e Adriana Martinez -pesquisadores da Escola de Economia da Faculdade de Ciências Econômicas da cidade de Rosario, na Argentina- salientam no relatório: “Com o objetivo de aproveitar e potenciar as fortalezas de cada um dos integrantes, o modelo de parceiros possibilita desenvolver projetos mais eficientes, minimizando os riscos individuais. As empresas parceiras, através da implementação de medidas conjuntas melhoram a competitividade e aumentam a produção mediante alianças entre os diferentes agentes que interagem no mercado, Incrementando as oportunidades de crescimento individual e coletivo”.
No caso de um grupo de pequenas carpintarias na região de Caimancito, província Jujuy na Argentina, é bom exemplo: compartilham uma fabrica, equipamento e maquinaria, isso permite melhorar os desenhos dos produtos e a qualidade deles. Também compartilham canais de comercialização e receberam consultoria conjunta em temas de organização e de layout (reorganização de plantas de fabricação). No setor agropecuário, este esquema de cooperativismo tem maior ambigüidade: os pequenos produtores compartilham tratores e colheitadeiras, e compram juntos sementes e agro químicos com resultados ótimos.
Fazer parte de uma associação gremial ou empresaria tem muitas vantagens. A agrupação de empresas ou profissionais é um veiculo importante para defender interesses compartidos, receber informação de primeira mão, abrir novas possibilidades comerciais e ter acesso a rondas de negócios ou congressos. Também, muitas dessas organizações oferecem cursos que permitem estar atualizado no que se refere a novas tendências.
Darío Hernández Carro é presidente de Entrepreneurship Ibero América, uma organização que tenta agrupar aos jovens empresários da região. No seu relato explica a importância que se gerem este tipo de espaços. “Está formado por um grupo de jovens profissionais e jovens empresários com experiência na criação de empresas, a formação empresarial e a cooperação ao desenvolvimento ”, explica. A idéia da organização é apoiar, incentivar, orientar, estimular e encanar as idéias dos jovens empreendedores uruguaios e da região.
Para os integrantes desta associação, são abertas as portas para o fomento de suas empresas (se estivessem formadas), ou são assessorados para que possam estruturar sua idéia ou projeto.
A própria natureza demonstra que nossa essência é ser independente: nos necessitamos mutuamente como seres integrantes de uma sociedade. Na hora de falar em negócios, é repetida a mesma lógica: necessitamos de outros para poder ficarmos completos, sejamos profissionais liberais ou empresas.
A chave é poder complementar necessidades, ter valores compartidos e um alto grau de confiança. A sinergia propõe uma mudança de paradigma, onde a contribuição de todo é muito maior do que a soma de contribuições individuais. Pensar em que todas as partes ganhem e se beneficiem, pode tornar um mercado não tão selvagem, mais responsável socialmente, onde as problemáticas de cada parte sejam entendidas. A parceira é um veiculo coletivo para atingir essas soluções.
"A Estrategia do Conflito", de Thomas Schelling. Uma pesquisa dos processos e cooperaçao e negociaçao.
"How Nations Negociate", de Fred Charles Iklé. Um livro que se refere aos processos e as formas de negociaçao em diferentes paises do mundo.
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