Opinion Sur Joven

Nº46

O horrível encanto de enganar os jovens

Junho de 2009, por Roberto Sansón Mizrahi

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Nota doEditor: Roberto Mizrahi, um dos inspiradores do projeto Opiniao Sul Jovem desenvolveu este artigo de opinião que fala especificamente dos jovens e da responsabilidade dos mais velhos (pais, professores, referentes sociais) para a situação complicada que vivemos. Nós achamos interessante publicá-lo por dois motivos: em primeiro lugar, porque ela fala de nós, por outro, porque sabemos que muitos leitores estão começando a percorrer o caminho para se tornar um pai, professor, referências. Nós convidamos você a ler esta coluna e se você tiver vontade, deixe a sua mensagem no final. Roberto atira a primeira pedra para abrir um debate que, juntos, temos de tentar restituir.

Cada nova geração surge no mundo de acordo com o que lhes reserva a sorte. Chegam com a potencialidade do novo, da coragem ainda invicta, do talento de seus jovens neurônios e vocações, com a determinação dos riscos imensurados. Foram por gerados por nós, mas não nos pertencem. Os educamos como soubemos ou pudemos, mas está escrito que escolherão seus caminhos. Tivemos vontade de colocar nas suas mochilas tudo o que consideramos indispensável para uma travessia que apenas imaginamos.

Sobre eles choveu toda a tecnologia que produzimos e hoje são eles que nos ensinam a operá-la. Falamos para eles sobre o sentido dos dias, aquele sentido retraído que se esvai em um passo e se reafirma em outro, que apazigua sem de fato notar a sede insaciável de transitar e de conhecer apenas o novo. Talvez escutassem, mas não havia maturidade para entender. E ali saíram.

Ao virar na esquina bateram de frente com uma liberdade inesperada em um bairro desprotegido, assim como aconteceu conosco; porém, desta vez, os enganos foram outros e os titeriteiros também eram diferentes.

Arrancaram com o empurrão daquele que acaba de descascar seu envoltório familiar; como sempre aconteceu (nos lembramos?). Saíram em disparada com suas próprias angústias e temores, com seus machucados e abandonos, com seu celular e suas mensagens de texto, conectados na internet por seus umbigos, apressados, impacientes com nossa impaciência. Pularam com agilidade os arames farpados que antes custava esforço deixar para trás. Sem transição, se encontraram em um campo aberto. Respirando noitadas fora do controle, úmidos de adrenalina, vulneráveis aos riscos. Os titeriteiros os caçaram sem problemas, carne macia e jovem sempre foi alvo fácil para os predadores da campina.Continuar lendo

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