Opinion Sur Joven

Nº46

Chaves para a compreensão da violência na Colômbia

Os sonhos interrompidos.

Setembro de 2009, por Nohemy Rojas

Todas as versões deste artigo : [en] [es]

Imprimir

Opinião Sul Jovem apresentará uma série de artigos produzidos em conjunto com o Sistema de Comunição Jovem Rede Camaleão, site nascido na Colômbia com informação. Por entrega especial vamos introduzir alguns elementos da realidade colombiana. O porque é um dos países mais violentos da América Latina? Quem é quem neste jogo de poder? A idéia é mostrar alguns elementos da realidade desse país, uns tristes e dolorosos, mas também outros que preservam a fé em um país que para alguns é o seu lar.

Imagine que você está no meio de um sonho, nada memorável e inesquecível, um sonho como qualquer outro, que é interrompido por um estrondoso boommm! Então você sente um leve movimento de sua cama, a vibração dos vidros e acha que o barulho do trovão é ouvido, anunciando a chuva pesada. Abre os seus olhos e fica surpreso ao encontrar um sol brilhante, céu azul que se derrama sobre as cortinas e em breve será maior a confusão pelo barulho de passos que são ouvidos, as portas que se abrem e fecham, as vozes no corredor fora do seu apartamento, as rádios que se ligam e ficam em sintonia com a notícia. E então você decide acordar-se em busca de sua mãe ou pai, se possível os dois, melhor ainda.

A próxima coisa que você lembra é que alguém diz que explodiram o DAS! E a frase é repetida em um eco de muitas vozes que estão lotadas em uma sala de grandes janelas no andar superior de um edifício de 13 andares, a partir do qual você pode ver, não tão longe uma fumaça com algum fogo que de vez quando surge.

A seguir a angústia que lembra é a da mãe procurando moedas para orelhão localizado no piso térreo. Então você, aos 8 anos, um 6 de dezembro de 1989, não sabe qual é a DAS, descobre que o que acaba de explodir, é um prédio que está muito perto do trabalho de seu avô materno.

A calma chegará no meio das sirenes dos carros de bombeiros e ambulâncias que vê passar através da janela quando sua mãe consegui saber que o seu avô está bem. E então apenas ficava aguardar a lista de mortes nos jornais e a volta a vida diária, em meio da certeza crescente de que a vida pode acabar num estouro.

Esta situação faz parte de uma memória pessoal e partilhada com os colombianos que vivem ou sobrevivem, durante os anos 80 e 90. E nada longe daquelas de gerações que viveram muito antes e depois, graças a um conflito armado interno não declarado de mais de 50 anos, motivado e agravado por interesses econômicos e políticos que marcaram várias gerações que no meio da morte abrem espaço para a vida.

Para falar nisso começaremos por contar que a Colômbia, está situada no norte da América do Sul. É banhada por dois oceanos, no norte do Atlântico e do Pacífico. Porque se situa na linha do equador, não existem estações do ano e a temperatura é regulada pela altitude: perto dos Andes são áreas de neves eternas, na beira do mar com temperaturas até 40 graus.

Na parte sul do território, a Cordilheira dos Andes se divide em três ramais: permite a geração de vários ecossistemas, alguns únicos, como os páramos, contrastando com o deserto diante das montanhas geladas aparecem as planícies cálidas do Leste, as exuberante florestas, orlas e ilhas do Caribe ...

Durante o século XX, a economia era sustentada pelos produtos agrícolas, como o tabaco e o café, e recursos minerais como o petróleo, esmeraldas e ouro. No entanto, nos últimos anos devido ao processo de migração causado pela insegurança econômica ou social, as remessas começaram a ocupar a primeira linha da economia. Reconhecido também pela produção e comércio mundial de maconha e cocaína, uma das principais fontes da economia clandestina, a violência óbvia e os processos políticos.

Mas, além dos recursos naturais, temos também muitos grupos armados: incluem as guerrilhas de esquerda, grupos paramilitares, um exército com graves problemas de corrupção interior e agora a criação de sete bases militares norte-americanas.

Começando a história

O ataque com um carro-bomba ao Departamento Administrativo de Segurança DAS, na manhã do 6 de dezembro de 1989 não foi um incidente isolado, mas a expressão do conflito social que então tinha mais de duas décadas e vários atores. Para ir desenrolando a meada e entender um pouco a configuração do conflito não resolvido, começamos com um dos mais antigos atores do conflito: as FARC.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exercito do Povo, FARC-EP, são o resultado da confluência do processo que alguns historiadores definiram como "a violência política bipartidária" [1] da luta pela terra em um país que nesse momento sustentava a sua economia na agricultura e do processo de ingresso e assimilação do comunismo na América Latina.

"Vários autores localizam a origem das FARC na violência de meados do século e das autodefesas camponesas surgidas ao mesmo tempo nas regiões de influência política e social do Partido Comunista. Com o nome de FARC aparecem em 1966, após o ataque militar sobre o chamado repúblicas independentes. [2]

As repúblicas independentes foram assentamentos camponeses que estavam localizados na zona da Cordilheira Central, Ocidental e para as planícies do leste, foram o resultado da violência bipartidária entre 1949 e 1953, mas continuaram existindo mesmo após o acordo de coligação entre o partido Liberal e Partido Conservador, entre 1958 e 1974. Ambos os partidos tinham acordado a alternância no governo e a coalizão foi chamada de Frente Nacional.

Alguns dos grupos guerrilheiros liberais levaram as idéias do comunismo que estava entrando na América Latina. Após a queda do governo militar do general Gustavo Rojas Pinilla, que levou à formação da Frente Nacional e da desmobilização das forças de guerrilha, os comunistas do sul do Tolima, se recusaram a entregar suas armas. Eles e seu líder, Charronegro Jacobo Prias Alape, sabiam que em breve as necessitariam para se defender dos anticomunistas ao seu redor. " [3]

Alguns setores que se opõem ao governo consideraram que estes assentamentos eram uma ameaça à soberania nacional e assim o expressou o político conservador Álvaro Gomez Hurtado, em seu discurso ao Senado, em 29 de novembro de 1961.

"[...] Neste país há um número de repúblicas independentes, que não reconhecem a soberania do Estado colombiano, onde o Exército colombiano não pode entrar, onde disse que sua presença é abominável, que assusta ao povoado ou moradores [ ...] é a república independente de Sumapaz [...]de Planadas [...]de Rio Chiquito [...] e agora temos o nascimento de uma nova república independente de Vichada, a soberania nacional está encolhendo como um lenço. "

Analisa Henderson: "O discurso de Alvaro Gómez foi oportuoa porque veio dois dias antes de que Fidel Castro subscrevesse abertamente ao marxismo-leninismo, dez dias antes de que a Colômbia quebrasse relações com Cuba e duas semanas antes da audiência de John F. Kennedy ". [4]

As palavras de Álvaro Gómez, provocaram reações no governo até o ponto do planejamento para o próximo ano para uma ação militar contra o pequeno enclave de Planadas. A ação não foi realizada e é desconhecido o motivo pelos que a missão foi interrompida. Mas dois anos depois, em Maio de 1964, foi bombardeado pelo exército sul Marquetalia um enclave ao Sul de Planadas, onde tinha o estabelecimento Charronegro e que comunicava com o enclave de Rio Chiquito.

Os sobreviventes deste ataque formariam um grupo armado que era o principio de autodefesas camponesas: em 1966 viria a ser conhecido como as FARC.

Em uma longo trafegar de mais de 50 anos quando o país foi transformado, este grupo armado permaneceu, passou por alterações qualitativas e quantitativas: aumento do número de homens armados, ligações ao tráfico de drogas, ocupação do terras, o controle político e militar em algumas regiões distantes da capital, mudanças na sua liderança e orientação política, a ocorrência de outros grupos guerrilheiros, três tentativas de acordos de paz, o surgimento de grupos paramilitares, entre outros, no entanto, como em maio 1964, ou aquele dezembro de 1989 ainda é possível que o sonho do colombianos possa ser interrompido com um estouro. Disso a gente vai continuar falando nos próximos artigos de Opinião Sul Jovem

Gostou do artigo? Assine fazendo clique

+Info

Mais um pouco de informação:

Sistema de Comunicação Jovem Rede Camaleão

[Jovens colombianos: sem passado, presente nem futuro- >http://www.redcamaleon.com/content/j%C3%B3venes-colombianos-sin-pasado-presente-y-futuro], um informe especial sobre a realidade atual do programa Colombia Jovem

Site link algumas imagens da Colômbia.

[1] Isto é conhecido como o tempo violência para o período de confronto armado entre os liberais e conservadores, que veio de 1947 durante 18 anos e deixou um número estimado de 200 pessoas mortas.

[2] Gonzalez, Fernand; Bolivar, Ingrid; Vazquez, Teófilo. Violência política na Colômbia. Da nação fragmentada para a Construção do Estado. CINEP. Colômbia, 2004. Página 53.

[3] Henderson, James D. A modernização na Colômbia: O ano Laureano Gómez, 1889-1965. Universidade de Antioquia , Faculdade de Humanidades e Economia, Universidade Nacional da Colombia-Sede Medellín, Colômbia, 2006. P. 589.

[4] Ibid, p. 588.

Comentários

Assine a revista
Para receber mensalmente a revista no e-mail. É de graça.
Cibermilitancia
Celulares eco amigáveis
Futebol feminino
Voluntariado
mas info meio ambiente
Crise economica financeira.
Nuevo artículo
Depois das eleições.
Abuso sexual infantil
ONU
Protocolo Quioto
Plano de Negócios

As novidades

Argentina olhada de Fora
Novembro de 2008
Doenças por mudanças climaticas
Novembro de 2008
Redes
Novembro de 2008
Arte terapia
Novembro de 2008
Trabalho free-lancer
Novembro de 2008

Últimos artigos

Como montar um plano de negócios?
Fevereiro de 2010
Nudismo não é sinônimo de sexualidade .
Fevereiro de 2010
Internet faz com que sejamos melhores cidadãos?
Fevereiro de 2010
Recuperemos o cochilo.
Fevereiro de 2010
Ações diárias para cuidar a Terra.
Fevereiro de 2010

Links

Ficción Burana
Pipilandia
Voces no Ecos
PIEDRA POME
Argentina Elections-Elecciones Argentina
Un muy buen sitio con información actualizada sobre las elecciones en la Argentina.

::: Buenos Aires ::: Salguero 2835 7B (C1425DEM) ::: (54 11) 4801-8616 ::: Argentina :::

::: Rosario ::: Maipú 778, 1er. piso, Oficina 12 ::: (54 341) 4111924 ::: Santa Fe ::: Argentina :::