Abril de 2007, por Leila Mucarsel
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Todo mundo com certeza tem alguma coisa que odeia. Na verdade, com certeza são muitas as coisas que fazem com que fiquemos chatos, zangados, nervosos e até levam a que estalemos de raiva. Pode nos incomodar o som do danado despertador bem cedo na manhã da segunda, até que nosso chefe resmungando com tom de voz irritante. Pode ser que nosso time favorito tenha perdido aquele clássico do final da semana. Ou até o Bush bombardeando o Iraque mais uma vez e que ninguém já fique surpreso com o fato. E como existem diferentes tipos e níveis de fatos, existem também diferentes respostas...
Eles são jovens comuns, simples. Jovens que como você e eu, estudam, trabalham, curtem o fim de semana, um bom show, um cervejinha com os amigos, a comida da mamãe.... Mas existe uma coisa que os torna diferentes: diante das coisas que mais os irritam da cidade, da província o até do mundo, eles escolhem, eles decidem agir!.
O Hernán tem 22 anos e é estudante universitário. Diante da pergunta, Com que coisas da sua comunidade você fica irritado?, Ele responde prontamente: “Existem poucos espaços para que os jovens possam participar e onde tenham um lugar apropriado para resolver as suas grandes preocupações ”. Diante deste quadro o Herman se propôs procurar uma solução. A opção “mais lógica” – segundo ele – foi criar, junto a um grupo de colegas da faculdade. “Espaços Alternativos”, uma organização que “tenta gerar espaços alternativos que incentivem o desenvolvimento das habilidades pessoais nos jovens, estimulem suas capacidades intelectuais e artísticas e fomentem sua participação ativa no seu processo de aprendizagem, etc. ”.
O Mariano tem 27 anos e é desenhista gráfico. Ele ficava irritado e (ainda fica irritado!) com que muitas pessoas morem na pobreza ou indigência e não tenham oportunidades para se desenvolver plenamente. A sua resposta veio através do “Projeto Infantil Braços em Solidariedade”. Uma organização composta por jovens animados, estudantes e profissionais, que desde o ano de 2002 vêm re-pensando de forma ativa a realidade infantil nos sectores mais desprotegidos. Mediante diferentes ferramentas eles criam os espaços necessários para que as crianças tenham mais oportunidades de desenvolvimento. Trabalham atualmente num bairro chamado “Los Dos Angeles” (um bairro marginal a 30 km da cidade de Mendoza), onde realizam diferentes projetos educativos e produtivos: ajudam a gerar micro empreendimentos produtivos, organizam cursos para crianças e adolescentes, e para famílias, etc.
O Mariano diz que ele participa “como uma forma de tentar contaminar um pouco para fora.. de chegar a âmbitos onde o assunto de falar e não fazer está mais enraizada que fazer e calar, para educar com o exemplo”. “Deixar as pessoas pensando, já é um grande sucesso!. Meu objetivo é gerar uma mudança de atitude no pensamento e no agir ”, fala ele. O Hernán define a participação simplesmente como “Compromisso e responsabilidade com um mesmo e com os outros ”. E o Javier, outro dos jovens entrevistados, como: “a ação de se comprometer nos problemas socioculturais que existem, desinteressadamente”.
O por que? Ninguém age sem uma motivação… A participação surge por vários motivos. Segundo uma pesquisa, elaborada por Julio Bango 1[ Participación juvenil e institucionalidad pública de juventud: al rescate de la diversidad» , Julio Bango [1] as pessoas participam (agem coletivamente e se organizam ) em base ou pelo menos a diante de quatro motivações principais: No primeiro lugar para melhorar “acesso a bens e serviços”. Isto é, conseguir alguma grana. Outros o fazem para “poder se integrar a determinados processos em curso em uma determinada sociedade”. Entende-se os que se vão a protestos para conseguir algum romance ou fazer amigos. Depois aparecem os que fazem isso “para melhorar as suas oportunidades de concretizar seu projeto de vida”; um exemplo disso é um médico que colabora com Médicos sem Fronteiras e ganha experiência profissional pratica enquanto ajuda sua comunidade. Por último temos ao idealista puro que faz isso para gerar um futuro melhor para ele e seus filhos; em palavras de Bango, aquele que participa “para se sentir protagonista, para construir deliberadamente seu futuro; para reforçar a sua auto-estima”. “A qualificação é arbitraria e com certeza poderiam se identificar mais dimensões ou mais motivos, mas acredito que cada jovem que participa encontra a sua motivação para agir ”, conclui o autor.
As formas e os espaços de participação podem ser os mais diversos. Muitos encontram seu lugar nas denominadas OSCs (organizações da sociedade civil, antes conhecidas como ONGs); outros nas fundações, refeitórios infantis, juventudes de igrejas, etc.
Os tradicionais partidos políticos, embora hoje muito desprestigiados em nosso país, também têm jovens. Mas aqui não termina a lista. As novas tecnologias possibilitam o chamado “cyber ativismo”: um monte de jovens publicando as suas opiniões online, campanhas e manifestações organizadas nos blogs, grandes redes virtuais da juventude, são somente alguns dos tantos exemplos deste incrível fenômeno.
Você não ouviu já falar, por exemplo, da grande manifestação contra a caça de baleias que Green Peace organizou pela Internet? Sob o lema “Amamos ao Japão, mas a caça de baleias quebra o nosso coração” convidavam a protestar (beijando o/a seu/sua namorada/o!) na frente da embaixada do Japão em Buenos Aires no dia dos Namorados [2] . Foi uma adolescente quem mandou a idéia a Green Peace…original né?
Existem coisas que a gente não pode mudar, isso esta claro. Não estou pedindo para você que detenha o derretimento das calotas polares, nem que você se candidate para presidente nas próximas eleições. Mas existe uma enorme quantidade de assuntos nos que podemos ficar envolvidos, fazer a nossa pequena ou grande contribuição, (segundo o ponto de vista). Trata-se de ser idealistas, ao mesmo tempo muito que muito realistas: pensar soluções e propostas concretas, capacitar-se e tentar fazer de forma Professional o trabalho voluntário, conseguir apoios, formar parceiros e redes para potencializar o projeto, são as principais dicas que nos deram os nossos os entrevistados quando preguntados sobre às chaves para o sucesso dos empreendimentos. As décadas de 60’ e 70’ foram épocas de forte “efervescência social”, dos grandes ideais coletivos. Épocas de muito “Peace and Love”, Beatles, cabelo comprido e poderosas idéias.
Muitos hoje tem saudades desse momento histórico, (não vou arriscar a dizer se isso é por causa mais dos ideais ou do fato de que não tomar banho nessa época era algo cool) absolutamente convencidos de que “no passado era melhor”. Embora seja verdade que na atualidade prevaleça a indiferença e o desinteresse, muitos jovens participantes demonstram que nem tudo está perdido.
Ao mesmo tempo, os mais otimistas vêm esse pragmatismo do jovem de hoje como uma vantagem para a participação: pensam soluções concretas, possíveis, realizáveis e as põe em pratica. Atualmente muitos analistas falam de um momento de auge dos chamados “novos movimentos sociais” e entre eles o papel dos jovens tem um lugar principal.
Congressos mundiais de juventude, numerosas organizações sociais lideradas completamente por jovens no mundo todo demonstram isso. Porém, devemos reconhecer que continua sendo uma minoria a quantidade de pessoas que participam ativamente.
No que se refere ao local, o panorama da participação numa cidade mediana (1.700.000 habitantes aproximadamente) em Mendoza, minha província, não é dos mais estimulantes. Existe um numero muito pequeno de organizações sociais juvenis e os problemas e empecilhos que vão surgindo não são poucos.
“Participar sendo jovem não é nada fácil”, todos concordam , mas sem duvidas é muito gratificante, disseram quase em uníssono. O Mariano nos conta que: “Temos uma grande dificuldade para conseguir adeptos, além de que as relações humanas são muito difíceis de se trabalhar em grupo permanentemente, tanto com as pessoas do bairro no que trabalhamos quanto entre nós mesmos ”. E o Hernán, demorou um pouco para responder quando perguntado sobre os empecilhos que estão no caminho, respondeu: “Eu falaria que nossos próprios erros. Isso, eu diria que nossos próprios erros. Isso terminou refletindo uma falta de financiamento e de pessoas as vezes. Mas todos esses erros deixaram muita experiência ”.
O que você recomendaria a aqueles jovens que queiram iniciar sua participação na sociedade? – perguntou Opinião Sul Jovem para concluir.
O Hernán:-Em primeiro lugar determinação e valores. Determinação é o que permite materializar uma idéia e sustentá-la. Valores fazem que todo esse trabalho mereça o esforço.
O Mariano -Que desfrute o começo que é o melhor, porque a motivação vai surgir sozinha... .Para aquele que já começaram, que sejam constantes e não deixem de tentar mesmo que tenham que começar 100 vezes (água mole em pedra dura tanto bate até que fura)...né?”.
A partir de minha experiência pessoal pude perceber que participar, embora claramente tenha nuances particulares em cada lugar, têm grandes semelhanças em todos os cantos do mundo. As dificuldades são muitas e muito semelhantes: a falta de interesse e apoio dos “adultos”, problemas para conseguir dinheiro e a falta de pessoal, isto é, poucos jovens comprometidos com a participação. Embora amigos eu vou dizer que a forte vontade dos que escolhem participar permite que sejamos otimistas. Por exemplo; perguntei para o Hernán: O que você acha da participação dos jovens na província de Mendoza? A sua resposta: (que chega da Alemanha onde atualmente está colaborando com diversas organizações sociais) não deixa de me surpreender” Hoje, pouca. Potencialmente, infinita”.
E você?…Com o que você fica irritado? O que é o que mais incomoda você? E o mais importante, Você já pensou que vai fazer para mudar isso ?
Sites Webs recomendados: Acho que os melhores sites para começar com o assunto da participação da juventude hoje são:
Taking It Global: http://argentina.takingitglobal.org (uma comunidade on-line que liga a juventude e oferece oportunidades de encontrar informação, encontrar inspiração e participar da comunidade, tanto a nível local quanto global )
Portal de Juventude para América Latina e o Caribe
Filme recomendado: Los Educadores
[1] 1 http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/195/19501005.pdf)
[2] 2 http://www.telam.com.ar/vernota.php?tipo=N&idPub=52624&id=131323&dis=1&sec=1 http://www.greenpeace.org/argentina/prensa-rss/d-a-de-los-enamorados-amamos
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