Junho de 2008, por Meredith Levick
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As mudanças são inevitáveis. Estamos rodeados de mudanças todos os dias quando saímos de casa e percebemos uma paisagem física e mental diferente a do dia anterior. Se a mudança é a causa, a adaptação é o efeito. Apreendemos a viver com realidades cambiantes, e a não ficar paralisado... aceitar que a vida não é estática e que o dinamismo pode trazer coisas boas e ruins.
Do momento que eu cheguei a Buenos Aires- em novembro de 2007- tive que me adaptar as costumes dos argentinos. Eu estou aqui por vontade, portanto tudo o que significar mudanças vai ser bem-vindo. Às vezes minhas aventuras podem resultar frustrantes, mas em geral fico rindo a medida que vou construindo a minha vida nesta cidade. Por favor, passem e vejam como é um dia na vida de neoyorquina em Buenos Aires.
Pela manhã a minha rotina é semelhante à que eu tinha em Nova Iorque: moro num ambiente controlado e são poucas as variáveis a desconhecidas a considerar. Mas, mal saio ao mundo me bombardeiam o movimento e a energia de um lugar que não é meu. Espero o ônibus na esquina. Procuro moedas na carteira, porque eu não tenho porta-moedas como a maioria dos argentinos. (Lembrança mental: comprar porta-moedas). Graças a Deus, eu sempre tenho moedas, porque se eu não tiver moedas terei que comprar alguma coisa para arranjar troco. As moedas são na argentina um bem valorizado : dois pesos em metal é mais valorizado do que uma nota: inclusive em algumas bancas de jornais dão presentes se você levar moedas.
Vejo que esta vindo um ônibus vou tentar pega-lo porque já me aconteceu que ele não parar no ponto. O ônibus se detém para que eu suba, e mal me dá tempo para apoiar os dois pés sobre o degrau antes de acelerar a toda velocidade até o próximo ponto de ônibus. Digo ao motorista até onde eu vou viajar, o ticket sai de uma maquina, coloco as moedas e espero para pegar o troco. Vou até a metade do ônibus lotado de pessoas procurando ar fresco perto de alguma janela. A outra opção é ficar apertada entre as pessoas, especialmente no verão o cheiro é semelhante a ter o nariz dentro da axila de um jogador de futebol. Eu faço questão do controle da temperatura; em Nova Iorque os ônibus e os metrôs têm ar condicionado.
Eu estou no ônibus. Geralmente eu escuto musica e observo as pessoas: alguns deles descem, outros sobem. Penso na vida que espera por eles. Onde eles moram? Quem ficará esperando por eles? O que eles vão jantar hoje? O mesmo pode ser dito de qualquer área metropolitana, onde todos somos estranhos unidos pelas vantagens de viver numa cidade. Procuramos subir ao ônibus, esperamos que a viajem seja tranqüila e segura. Para mim, de qualquer jeito, as viagens são como um filme grátis. Não existem câmeras, mas os ônibus de Buenos Aires são um espetáculo sobre o encontro de forças caóticas. Eu economizo 17 pesos do ingresso porque posso ver as historias enquanto elas acontecem. Adoro o que eu percebo quando estou viajando, embora seja difícil nos meses do verão.
Eu trabalho perto do Obelisco, e essa zona me lembra muito a Times Square em Nova Iorque. Acho que a maioria dos portenhos tentar evitar essa zona, lotada de turistas, trafico e comida mais cara (mas o menos custa o dobro que em outros bairros) . Mas é a zona onde trabalho e ainda eu vejo a cidade com olhos de turista assombrado, portanto não me incomoda o caos do centro da cidade. Obviamente, em Manhattan sempre tento evitar Times Square.
Eu chego ao trabalho e cumprimento a cada colega com um beijo. No começo não percebia de que todos se beijam ao entrarem ao escritório e ao saírem do escritório. Fiquei surpresa, porque nos Estados Unidos um fato desses –um beijo- no local de trabalho pode ser a base de um processo de acosso sexual. Eu acho esse fato bem legal e uma bem-vinda bem meiga. É um contato físico muito básico e humano. Mas também é duro contraste com o ambiente corporativo estadunidense que conheci em Nova Iorque, onde o espaço pessoal deve ser respeitado com todo rigor.
Outra diferença que percebi imediatamente foi o tipo de conversas informais que se escutam no escritório. Aparentemente nenhum tema é tabu, e muitas vezes me surpreende quando escuto os palavrões que se falam no escritório. Fico envergonhada e começo a rir. No escritório também se usa muito o Messenger (MSN). Ter uma conta de MSN é como possuir um sobrenome. É como se eles tivessem uma conta de msn de nascimento. Nos primeiros meses no trabalho não percebia como eu me marginava por não ter MSN.
Também eram surpreendentes as pausas para ir a fumar. Com isso eu não quero dizer que nos Estados Unidos os funcionários não fumem, mas pelo menos no escritório parece que é mais freqüente. As pausas do trabalho para sair a fumar e bater papo uns 20 minutos acontecem varias vez no dia. Eu não fumo, portanto percebo esse ritual de fora. Mas não reclamo, porque não quero começar a fumar somente para ser parte dessa cultura.
Outro costume no escritório que faz com que eu fique confundida são os aniversários. Quando alguém faz aniversario, o costume é trazer bolo para os colegas do escritório. No outro dia uma colega cozinhou biscoitos amanteigados para o aniversario dela. Pergunta retórica: “Se é o seu aniversario, porque trabalhar para satisfazer aos outros?”. Eu acho que nos Estados Unidos a tendência é a contraria: nesse dia você é dispensado de muitas tarefas como limpar ou cozinhar. È um dia para que o aniversariante fique relaxado e seja mimado. Portanto, é importante colegas que vocês saibam que para o meu aniversario, acho que eu não vou cozinhar biscoitos gostosos para ninguém.
Meu expediente terminou: cumprimento a todos com um beijo nas bochechas e vou embora. Pego o metrô na avenida 9 de Julho e viajo mais apertada do que na manhã, o que parecia quase impossível; evidentemente estava errada. Os empurrões são quase inumanos e agressivos. È a hora de movimento intenso em Buenos Aires e as pessoas desejam com muita vontade passar do dia para a noite, do trabalho para o prazer. O ar não circula e por isso respiramos uns sobre os outros. Eu tento pensar em outras coisas, na próxima atividade que vai ser o jantar com amigos.
Combinamos o encontro para as 21:30, mas leio um torpedo de uns dos meus amigos que me avisa que ele vai chegar as 22. Percebo que chegar atrasado é normal para os argentinos. E até acho que às vezes a intenção é essa. A mesma regra aplica para chegar a, por exemplo, uma festa de aniversario. Agora já percebi que nunca eu tenho que chegar na hora exata. Tenho que ler entre linhas, e essas linhas estão escritas num dialeto de espanhol que pode resultar muito difícil de entender para um estrangeiro.
Quando eu cheguei a Argentina foi muito difícil me adaptar aos horários das comidas. Estão atrasadas umas duas ou três horas em comparação com Nova Iorque, a exceção do café da manha, que não é tão importante quanto nos Estados Unidos. Eu no começo tinha fome o tempo todo e não conseguia me ajustar ao relógio da Argentina. Mas cheguei à conclusão de que os argentinos dormem menos. No quero generalizar no que se refere a toda a população. Mas, na media, se jantam as 22 ou mais tarde, passam tempo com a família ou os amigos e acordam para ir ao escritório ou na escola , então a matemática indica que faltam horas de sonho. Mas eu tenho só uma certeza, o dia tem somente 24 horas tanto na argentina quanto no meu pais. Portanto façam contas....
Outra mudança nos meus horários acontece nos fins de semana na noite. São freqüentes as saídas até o amanhecer. Quando isso acontece, ao dia seguinte eu fico dormindo até altas horas da tarde. Se esse ciclo se repete semanas e semanas,estou perdendo 1/7 de minha vida e praticamente mudando um dia pela noite anterior que passei com amigos. Igualmente eu acho que não é totalmente isso, às vezes fico zangada comigo mesma por ter desperdiçado o domingo dormindo. Mas que outra opção eu tenho se me deito recém as 7 da manhã ?
Essas são algumas das diferenças logísticas que percebi entre a vida em Buenos Aires e em Nova Iorque. Nenhuma das mudanças é tão grave ou incomoda como para eu ficar desanimada e ter vontade de voltar a meu país. Pelo contrario, curto muito dessa idiossincrasia. Quando morava em Nova Iorque, viajar ao trabalho era chato. Na Argentina as viagens em ônibus são uma aventura. Nos espaços livres posso observar momentos de beleza, diversidade e carinho.
Fiquei adaptada. Estou me adaptando. Vou me adaptar. Continuo porque eu quero ver, sentir, ouvir e cheirar este país de dentro; quero me enriquecer na troca de culturas e idéias. Estou avançando em forma indefinida. Por enquanto, não existe mapa e não quero que ele exista.
Um link interessante:
Turismo em Buenos Aires, esses lugares que você não pode deixar de conhecer: Site Oficial de Turismo da Cidade de Buenos Aires
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